Mostrando postagens com marcador tempo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tempo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Viagem através do tempo - ficção ou realidade

O templo da ciência apresenta-se como um edifício de mil formas. Os homens que o frequentam, bem como as motivações morais que pra lá os conduz, revelam-se bem diferentes. 

Uns entregam-se à ciência com o sentimento de felicidade que a potência intelectual superior lhes causa. Para eles a ciência é o esporte perfeito, a vida transbordante de energia, a realização de todas as ambições.Outros frequentam este templo, igualmente, exclusivamente por razões utilitárias, oferecendo em troca apenas sua substância cerebral.

Estas diferentes motivações assemelham-se à nostalgia que atrai os habitantes das grandes cidades para longe do seu ambiente ruidoso e complicado, em busca das pacíficas paisagens do interior.

A estas motivações, de ordem negativa, juntam-se outras de caráter positivo. O homem visa obter, de qualquer maneira, mas segundo sua própria lógica, uma imagem simples e clara do mundo. Para isso ele ultrapassa o universo da sua vivência para, de certa forma, substitui-lo por essa imagem. À sua maneira, é esse o procedimento de cada um, quer se trate de artista, advogado ou cientista. A essa imagem e a sua realização ele dedica grande parte da sua existência afetiva porque só assim conseguirá a satisfação que não tem em sua vida agitada e subjetiva.

Foi assim com Galileu e Newton, ao desenvolverem as bases da mecânica; com Planck, quando descobriu as propriedades elétricas, óticas e térmicas dos corpos; com Maxwell, elaborando a teoria de propagação ondulatória da luz; com Faraday, descobrindo o electromagnetismo, e; com Lorentz, ao afirmar a existência do éter como sendo a matéria capaz de penetrar qualquer espaço. 

Também assim procedeu Einstein, processando estes conhecimentos e elaborando a teoria da relatividade, deixando inquestionável, do ponto de vista das possibilidades, a idéia de se viajar no tempo.

Uma vez tratada de maneira simples e clara, a viagem através do tempo é, atualmente, maciçamente ventilada ao mundo por meio do cinema e da televisão visando, talvez, preparar o simples mortal para este fato. Esse preparo infelizmente se faz necessário porque o homem do século XXI continua, lamentavelmente, mais preocupado em compreender o mundo experimental que conhecer a verdade.

(by Silvio Menezes)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Ouso, logo, decido.

“ O que em vós escapa ao tempo sabe que a vida também escapa ao tempo.
(...) E não é o tempo, exatamente como o amor, indivisível e insondável ? ”   Kalil Gibran

É bem certo que nada está imune à ação do tempo. Com o seu passar, tudo muda. Comigo não sucede diferente. Como ser humano que sou, tenho que me adaptar à temporalidade do mundo, em todos os seus aspectos, para não ficar desatualizado, ultrapassado, em desacordo com a auto-transcendência cambiante.

Assim, por estar sujeito ao influxo do tempo, preciso acompanhar a evolução do amor, de modo que o meu senso crítico mantenha compatibilidade com as transformações humanas - que nem sempre querem significar progresso nesta seara.

O caminho para tal atualização? Não poderia ser outro senão a ousadia. Através deste predicado raro, secundário, derivado, substituo sentimentos ultrapassados, principalmente os mal aproveitados por seus destinatários, sempre dentro de limites e pressupostos adrede traçados pelo bom senso.

Em última análise, a lição que ficará será a da idéia moral da evolução do ser, a qual deixo preservada neste breve recuo a Kalil Gibran.

Então, ouso. E decido!

Decido. Decido errado, mas decido.

Não fico esperando, prostrado numa torre de marfim, a felicidade vir ao meu encontro. Ela não virá. Maomé percebeu isso há 1.300 anos ... e foi até a montanha.
(by Silvio Menezes)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O 5º ciclo

“Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito.” (Albert Einstein)


Gostaria, hoje, de escrever algo diferente. Algo singelo, espontâneo, positivo, a fim de acelerar corações, comover olhares, brilhar sorrisos, ungindo todos com a sensibilidade edificante que eterniza instantes.

Gostaria de afirmar ser este ano de 2011, penúltimo  do 5º ciclo terrestre na cosmologia maia, o vanguardeiro da consciência de estarmos a transitar para um novo tempo, em que mais e mais se aperfeiçoará o processo evolutivo, com o triunfo da transparência de comportamento e a crescente assunção do mérito, para gáudio dos que pautam a vida numa linha de verticalidade.

A imaginação é, realmente, a voz do atrevimento, não?

Impedido, pois, de perfilhar esta trilha de idealismo, contentei-me em redigir um texto mais simples, porém, não o mais simples. Se bem que isso pouca diferença fará nos próximos 5.125 anos.

Ademais, há muito abandonei os caminhos traçados. Eles conduzem somente até onde outros já foram. Descobri que o importante de verdade na vida não são os objetivos a que nos propomos, mas os caminhos que seguimos para consegui-los. Não que eu necessariamente prefira caminhos novos; a mim basta um jeito novo de caminhar.

É que não gosto de cometer erros antigos, quando há tantos erros novos a escolher. Por acreditar firmemente que se alguém está fazendo algo da mesma maneira, há anos, provavelmente o está fazendo errado, é que entendo a dinâmica da vida. Esta, por excelência, me impede de ser escravo da própria identidade. Nesse passo, quando surge a possibilidade de mudar, preciso mudar, e mudo. Afinal, a vitalidade se revela não apenas na capacidade de resistir, mas, também, na de começar tudo de novo. 

Assim, prefiro os erros do entusiasmo à indiferença da sabedoria. O que me leva à experiência, que, por definição, não é o que me acontece, mas o que faço com o que me acontece.

Por ora basta. Trouxe à baila tais propósitos justamente para lavrar um texto aparentemente simples, porém de alta relevância.

É chegada a hora de encarar, com devido realismo, a realidade. O tempo rápido flui, nossas vidas comprimidas pela carga nada leve da luta pela sobrevivência esvai-se, não cabendo à grande maioria dos mortais a chance de conhecer, verdadeiramente, a vida e, consequentemente, a felicidade.

Um suspiro para o que foi, um sorriso para o que será: eis a vida. É que viver ultrapassa qualquer entendimento, pois as coisas da vida são sempre simples.

A felicidade, esta, é uma conquista pessoal. Os outros podem, até, torcer, desejar de coração ... Mas só você pode querer e fazer seus desejos se realizarem, tornando-se, por certo, um indivíduo feliz.

Preocupa-me, cada vez com maior clarividência, que tais conceitos não sejam por todos compartilhados. Vivemos sob o mesmo céu, mas, infelizmente, nem todos vêem o mesmo horizonte. É chocante constatar que há quem passe pela floresta e só veja lenha para fogueira.

Com um mundo assim, que se faz deserto, tenho sede de companhia. Eu, que acredito profundamente nas relações, na interdependência como forma de atingir a harmonia e a beleza do ser.

O poeta C.D. de Andrade, num de seus poemas, nos descreve a odisséia do homem em suas conquistas espaciais. Colonizou todo o sistema solar e ainda se lançou a outros sistemas. Mas o tédio sempre o acompanhava. Quando mais nada restava para civilizar, voltou-se para o próprio universo pessoal e nunca mais teve tédio.

Como ser poeta não é minha ambição, é a minha maneira de estar sozinho, sofro, porque, às vezes, é difícil ir contra instintos primários. E o homem é, instintivamente, um ser social.

Apraz-me saber ao menos que, de tantas esperanças ruídas, ainda há um oásis no deserto que sou.
(by Silvio Menezes)

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Delta

Esse mundo é um grande teatro. Como tal, é composto por alguns diretores, muitos atores e uma multidão de espectadores.

Na platéia estão os espectadores, o grosso da humanidade, vivendo essa existência num só objetivo: ver e aplaudir.

No palco, os atores - aqueles indivíduos que, efetivamente, são os responsáveis pela evolução do universo, tranformando o dia-a-dia - encenam esta maravilhosa peça que é a vida.

Os diretores são aqueles que nasceram para orientar, estimular, criar as condições necessárias à atuação dos atores, fazendo com que estes dêem tudo de si, tornando a representação mais proveitosa e expressiva.

Aos diretores. A estes é que deveriam ser dirigidos todos os aplausos, porque o sucesso da vida, digo da peça, depende do seu talento, perspicácia, doação.

Nesse teatro as funções estão bem definidas e, por isso, não deve haver confusão nem acúmulo. Quem nasce diretor não deve se arvorar a encenar; quem, substancialmente, é ator não pode querer dirigir ou aplaudir. Assim,  o espetáculo o será por natureza.

Ultimamente tenho sido um ator mediano, daqueles que vivem em função da platéia.

Mas agora sinto que o estrelato se aproxima. É que, felizmente, fui descoberto por uma diretora capaz de entender as minhas aspirações mais íntimas.

Então, é questão de tempo. Só preciso esperar mais um pouco, dar um tempo para que ela exercite a influência que tem sobre mim e  . . .
(by Silvio Menezes)