O templo da ciência apresenta-se como um edifício de mil formas. Os homens que o frequentam, bem como as motivações morais que pra lá os conduz, revelam-se bem diferentes.
Uns entregam-se à ciência com o sentimento de felicidade que a potência intelectual superior lhes causa. Para eles a ciência é o esporte perfeito, a vida transbordante de energia, a realização de todas as ambições.Outros frequentam este templo, igualmente, exclusivamente por razões utilitárias, oferecendo em troca apenas sua substância cerebral.
Estas diferentes motivações assemelham-se à nostalgia que atrai os habitantes das grandes cidades para longe do seu ambiente ruidoso e complicado, em busca das pacíficas paisagens do interior.
A estas motivações, de ordem negativa, juntam-se outras de caráter positivo. O homem visa obter, de qualquer maneira, mas segundo sua própria lógica, uma imagem simples e clara do mundo. Para isso ele ultrapassa o universo da sua vivência para, de certa forma, substitui-lo por essa imagem. À sua maneira, é esse o procedimento de cada um, quer se trate de artista, advogado ou cientista. A essa imagem e a sua realização ele dedica grande parte da sua existência afetiva porque só assim conseguirá a satisfação que não tem em sua vida agitada e subjetiva.
Foi assim com Galileu e Newton, ao desenvolverem as bases da mecânica; com Planck, quando descobriu as propriedades elétricas, óticas e térmicas dos corpos; com Maxwell, elaborando a teoria de propagação ondulatória da luz; com Faraday, descobrindo o electromagnetismo, e; com Lorentz, ao afirmar a existência do éter como sendo a matéria capaz de penetrar qualquer espaço.
Também assim procedeu Einstein, processando estes conhecimentos e elaborando a teoria da relatividade, deixando inquestionável, do ponto de vista das possibilidades, a idéia de se viajar no tempo.
Uma vez tratada de maneira simples e clara, a viagem através do tempo é, atualmente, maciçamente ventilada ao mundo por meio do cinema e da televisão visando, talvez, preparar o simples mortal para este fato. Esse preparo infelizmente se faz necessário porque o homem do século XXI continua, lamentavelmente, mais preocupado em compreender o mundo experimental que conhecer a verdade.
(by Silvio Menezes)