segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O 5º ciclo

“Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo que um preconceito.” (Albert Einstein)


Gostaria, hoje, de escrever algo diferente. Algo singelo, espontâneo, positivo, a fim de acelerar corações, comover olhares, brilhar sorrisos, ungindo todos com a sensibilidade edificante que eterniza instantes.

Gostaria de afirmar ser este ano de 2011, penúltimo  do 5º ciclo terrestre na cosmologia maia, o vanguardeiro da consciência de estarmos a transitar para um novo tempo, em que mais e mais se aperfeiçoará o processo evolutivo, com o triunfo da transparência de comportamento e a crescente assunção do mérito, para gáudio dos que pautam a vida numa linha de verticalidade.

A imaginação é, realmente, a voz do atrevimento, não?

Impedido, pois, de perfilhar esta trilha de idealismo, contentei-me em redigir um texto mais simples, porém, não o mais simples. Se bem que isso pouca diferença fará nos próximos 5.125 anos.

Ademais, há muito abandonei os caminhos traçados. Eles conduzem somente até onde outros já foram. Descobri que o importante de verdade na vida não são os objetivos a que nos propomos, mas os caminhos que seguimos para consegui-los. Não que eu necessariamente prefira caminhos novos; a mim basta um jeito novo de caminhar.

É que não gosto de cometer erros antigos, quando há tantos erros novos a escolher. Por acreditar firmemente que se alguém está fazendo algo da mesma maneira, há anos, provavelmente o está fazendo errado, é que entendo a dinâmica da vida. Esta, por excelência, me impede de ser escravo da própria identidade. Nesse passo, quando surge a possibilidade de mudar, preciso mudar, e mudo. Afinal, a vitalidade se revela não apenas na capacidade de resistir, mas, também, na de começar tudo de novo. 

Assim, prefiro os erros do entusiasmo à indiferença da sabedoria. O que me leva à experiência, que, por definição, não é o que me acontece, mas o que faço com o que me acontece.

Por ora basta. Trouxe à baila tais propósitos justamente para lavrar um texto aparentemente simples, porém de alta relevância.

É chegada a hora de encarar, com devido realismo, a realidade. O tempo rápido flui, nossas vidas comprimidas pela carga nada leve da luta pela sobrevivência esvai-se, não cabendo à grande maioria dos mortais a chance de conhecer, verdadeiramente, a vida e, consequentemente, a felicidade.

Um suspiro para o que foi, um sorriso para o que será: eis a vida. É que viver ultrapassa qualquer entendimento, pois as coisas da vida são sempre simples.

A felicidade, esta, é uma conquista pessoal. Os outros podem, até, torcer, desejar de coração ... Mas só você pode querer e fazer seus desejos se realizarem, tornando-se, por certo, um indivíduo feliz.

Preocupa-me, cada vez com maior clarividência, que tais conceitos não sejam por todos compartilhados. Vivemos sob o mesmo céu, mas, infelizmente, nem todos vêem o mesmo horizonte. É chocante constatar que há quem passe pela floresta e só veja lenha para fogueira.

Com um mundo assim, que se faz deserto, tenho sede de companhia. Eu, que acredito profundamente nas relações, na interdependência como forma de atingir a harmonia e a beleza do ser.

O poeta C.D. de Andrade, num de seus poemas, nos descreve a odisséia do homem em suas conquistas espaciais. Colonizou todo o sistema solar e ainda se lançou a outros sistemas. Mas o tédio sempre o acompanhava. Quando mais nada restava para civilizar, voltou-se para o próprio universo pessoal e nunca mais teve tédio.

Como ser poeta não é minha ambição, é a minha maneira de estar sozinho, sofro, porque, às vezes, é difícil ir contra instintos primários. E o homem é, instintivamente, um ser social.

Apraz-me saber ao menos que, de tantas esperanças ruídas, ainda há um oásis no deserto que sou.
(by Silvio Menezes)