Muito
racional, vivia na defensiva. Não me permitia amar; mas no fundo
procurava um grande amor. Quando, porém, isto se tornava viável, perdia o
interesse. Parecia mais fácil e menos doloroso desistir de tudo.
A
tristeza me esmagava o coração . . . Era necessário tomar uma atitude e
por fim àquela eterna fuga, na constante busca de um amor impossível.
Então, fui impulsivo. Reconheço orgulhoso! Afinal, de que adianta ser jovem se não puder ser impulsivo vez em quando ?!
Passei
a observar baleias em Uala-Uala . . . colhi papoulas no Peru . . .
ocupei posições subjuntivas nesse mundo de injustiças onde sequer
podemos escolher nossos parentes . . . andei tão à flôr-da-pele que
desenvolvi atitudes rudes capazes de provocar nas mulheres reações tipicamente masculinas.
E conclui: - preciso de ajuda. Devia haver alguém a quem pudesse pedir socorro. Talvez os neuróticos anônimos . . .
Ainda
não conseguia entender como as folhas feridas se curavam no orvalho . .
. Já havia, até, perdido a vontade de manter a própria existência,
quando esse teu sorriso, mais que suspeito, fez com que a força da vida
novamente aflorasce em mim.
Você me convenceu: sou,
apenas, um ser sobrenatural que baixou neste plano para experimentar a
realidade, estando a sofrer o excesso de viscissitudes disso
naturalmente decorrente, para que, vivendo emoções mornas e vazias,
extraia o máximo das pequenas coisas.
Só assim pude
aceitar, afinal, o fato do meu coração não ter aprendido a bater (ele só
apanha), e comecei a ser feliz, pois tornei-me capaz de rir de mim
mesmo.
(by Silvio Menezes)