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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O amor em perspectiva


Sempre acreditei que para uma relação de amor se desenvolver adequadamente era necessário que seus integrantes  "se percebessem"  o melhor possível.  Esta percepção, despida de preconceitos, deveria abranger, o melhor possível, o maior número de informações sobre o objeto do nosso amor.

Percepções ... informações ... preconceitos ... Fala-se muito em amor, mas, afinal, o que é o amor ?!

As pessoa têm diferentes padrões de amor, por isso não é fácil descrever o amor de forma clara e objetiva. O amor pode ser entendido como encantamento (satisfação total), como adequação ao eu, como enfoque sistemático para a auto-transcendência, a verdadeira expressão do relacionamento a dois e, até, como um ciclo, sem fim, de melhoria espiritual.

Mesmo sendo tão difícil descreve-lo, raramente temos dúvidas quando experimentamos amores superiores ou inferiores. A questão é que nem sempre sabemos lidar com eles, ora decidindo-os com base em opinião exclusivamente subjetiva, ora em se deixando determinar pela situação.

Mas porque será que isso acontece ?!

Creio firmemente que não é apenas a qualidade do amor que importa; a qualidade das pessoas que o fazem é igualmente crucial, porque a qualidade do amor depende dos esforços de cada indivíduo. A qualidade pessoal é a base de todas as outras qualidade.

Presta-se pouquíssima atenção à qualidade das pessoas. Os esforços individuais são determinantes para o sucesso da vida a dois, posto que balisam a percepção dos namorados. E não seria esta um quase sinônimo do caminho do amor ?!

Por isso, cada vez mais, o relacionamento é fundamental, pois só através dele é feita uma perspectiva detalhada de como serão desenvolvidas as etapas seguintes do namoro. Nele são definidos procedimentos a serem adotados, estratégias de concessões, etc ... Não é uma parte do aprendizado do amor a ser descartada com rapidez, nem se pode deixar que  "na hora, vejo o que acontece",  pois o que pode acontecer é um choque de objetivos incontornável.

Um relacionamento falho neste sentido impede a transmissão de conteúdo (o amor) ou prejudica o alcance de outros objetivos de ordem não apenas sentimental (como a carreira profissional, por exemplo). A falha no plano de relacionamento pode estar em detalhes que não são tão pequenos assim, tendo em vista o quanto podem atrapalhar.

Numa abordagem sistêmica, o encontro de duas vidas carecedor de relacionamento não tem feedback, retroalimentação. É importante estar sob avaliação contínua, um do outro, para que à medida que o relacionamento nos dê informações possamos detectar falhas e corrigí-las, incorporando seus resultados às positividades já existentes. Dessa forma estaríamos usando o feedback, suporte ímpar para o atingimento da unidade, em decorrência de uma interação contínua.

- Eu ajo desta forma e, não obstante, continuo a falhar ao buscar o amor.  Poderiam, alguns, objetar.

Primeiramente, o que praticamos é, ontologicamente, um relacionamento  ?!

Segundo, sabemos bem o que estamos procurando ?!  Laurence J. Peter disse, em The Peter Principle, que  "se você não sabe para onde está indo, provavelmente vai acabar em outro lugar".

Terceiro, temos consciência do que é um compromisso emocional ?!  Este, invariavelmente, nos faz fechar os olhos e a mente para a desconfortável distância afinitiva que nos separa do outro, a qual, com o tempo, se torna irresistivelmente perturbadora.

Talvez as respostas a estas indagações justifique  o fato de muitos casais abortarem a jornada tão precocemente.

Mas isso, ainda, não é o fim do mundo. Todos, em algum momento, nos desviamos do caminho; até o sol já alterou sua rota. Entretanto, ao contrário do astro rei, precisamos e podemos voltar à trajetória original.

Fomos ensinados a não admitir nossos fracassos, a não alardear abertamente nossas realizações mais positivas, a mentir a respeito de nossos sentimentos ... Não por outro motivo, sempre que as naturais circunstâncias da vida nos impelem contra comportamentos desta natureza recorremos a manobras pouco recomendáveis, inenarráveis por vezes,  quando o assunto é o coração.

Você já se perguntou se a impossibilidade de viver plenamente uma paixão é um estado temporário ou uma característica permanente ?! Alguns psicólogos acreditam que apenas uma fina camada de socialização impede que nosso Id - a criança interior impulsionada por instintos dentro de nós - agarre o que quer e faça birra quando não consegue que as coisas sejam do nosso jeito, como fazíamos quando éramos pequenos.

É, a dita impossibilidade, um traço opcional ou não-opcional ?! Algumas coisas você controla, outras coisas o controlam.

Que peso você atribui aos seguintes traços: 
1. Compromisso Emocional,  o vínculo que cega; 
2. Defesa, o meio mais rápido de bloquear a mente; 
3. Histórico Socio-econômico do parceiro; e
4. Satisfação Recíproca.

Responda a si mesmo, apenas. Nada de interlocutores. Agindo assim estará afastando a indesejável possibilidade de dissonância cognitiva; talvez a mais nociva forma de pensamento ilusório.

Após se responder, você provavelmente concluirá que não tem sido inteligente o suficiente e, pior, está exigindo demais do outro. Atingindo esse estágio de humildade, aproveite o momento para repensar sua caminhada pela vida; chegou a hora, afinal, de curar os traumas do passado e encarar a vida de frente.

Em vez de guardar mágoas ou rancores de amores antigos, que tal transformar tais sentimentos em boas amizades ?! Isso te trará mais disposição e ampliará suas chances de começar relacionamentos sadios e perfectíveis.

Evite se isolar do mundo e experimente não ter medo de se entregar ao amor. Se deixe surpreender pela vida, procure exercitar a paciência e a capacidade de compreender aqueles que o circundam.

In suma, um romance pleno e feliz exige ambiente especial para florescer.

(by Silvio Menezes)