Sempre
acreditei que para uma relação de amor se desenvolver adequadamente
era necessário que seus integrantes "se percebessem"
o melhor possível. Esta percepção, despida de
preconceitos, deveria abranger, o melhor possível, o maior número
de informações sobre o objeto do nosso amor.
Percepções ... informações ... preconceitos ... Fala-se muito em amor, mas, afinal, o que é o amor ?!
As
pessoa têm diferentes padrões de amor, por isso não é fácil
descrever o amor de forma clara e objetiva. O amor pode ser
entendido como encantamento (satisfação total), como adequação ao
eu, como enfoque sistemático para a auto-transcendência, a
verdadeira expressão do relacionamento a dois e, até, como um
ciclo, sem fim, de melhoria espiritual.
Mesmo
sendo tão difícil descreve-lo, raramente temos dúvidas quando
experimentamos amores superiores ou inferiores. A questão é que nem
sempre sabemos lidar com eles, ora decidindo-os com base em opinião
exclusivamente subjetiva, ora em se deixando determinar pela
situação.
Mas
porque será que isso acontece ?!
Creio
firmemente que não é apenas a qualidade do amor que importa; a
qualidade das pessoas que o fazem é igualmente crucial, porque a
qualidade do amor depende dos esforços de cada indivíduo. A
qualidade pessoal é a base de todas as outras qualidade.
Presta-se
pouquíssima atenção à qualidade das pessoas. Os esforços
individuais são determinantes para o sucesso da vida a dois, posto
que balisam a percepção dos namorados. E não seria esta um
quase sinônimo do caminho do amor ?!
Por
isso, cada vez mais, o relacionamento é fundamental, pois só
através dele é feita uma perspectiva detalhada de como serão
desenvolvidas as etapas seguintes do namoro. Nele são definidos
procedimentos a serem adotados, estratégias de concessões, etc ...
Não é uma parte do aprendizado do amor a ser descartada com
rapidez, nem se pode deixar que "na hora, vejo o que
acontece", pois o que pode acontecer é um choque de
objetivos incontornável.
Um
relacionamento falho neste sentido impede a transmissão de conteúdo
(o amor) ou prejudica o alcance de outros objetivos de ordem não
apenas sentimental (como a carreira profissional, por exemplo). A
falha no plano de relacionamento pode estar em detalhes que não são
tão pequenos assim, tendo em vista o quanto podem atrapalhar.
Numa
abordagem sistêmica, o encontro de duas vidas carecedor de
relacionamento não tem feedback, retroalimentação. É importante
estar sob avaliação contínua, um do outro, para que à medida
que o relacionamento nos dê informações possamos detectar falhas e
corrigí-las, incorporando seus resultados às positividades já
existentes. Dessa forma estaríamos usando o feedback, suporte ímpar
para o atingimento da unidade, em decorrência de uma interação
contínua.
-
Eu ajo desta forma e, não obstante, continuo a falhar ao buscar o
amor. Poderiam, alguns, objetar.
Primeiramente,
o que praticamos é, ontologicamente, um relacionamento ?!
Segundo,
sabemos bem o que estamos procurando ?! Laurence J. Peter
disse, em The Peter Principle, que "se você não sabe
para onde está indo, provavelmente vai acabar em outro lugar".
Terceiro,
temos consciência do que é um compromisso emocional ?! Este,
invariavelmente, nos faz fechar os olhos e a mente para a
desconfortável distância afinitiva que nos separa do outro, a
qual, com o tempo, se torna irresistivelmente perturbadora.
Talvez
as respostas a estas indagações justifique o fato de
muitos casais abortarem a jornada tão precocemente.
Mas
isso, ainda, não é o fim do mundo. Todos, em algum momento, nos
desviamos do caminho; até o sol já alterou sua rota. Entretanto, ao
contrário do astro rei, precisamos e podemos voltar à trajetória
original.
Fomos
ensinados a não admitir nossos fracassos, a não alardear
abertamente nossas realizações mais positivas, a mentir a respeito
de nossos sentimentos ... Não por outro motivo, sempre que as
naturais circunstâncias da vida nos impelem contra comportamentos
desta natureza recorremos a manobras pouco recomendáveis,
inenarráveis por vezes, quando o assunto é o coração.
Você
já se perguntou se a impossibilidade de viver plenamente uma paixão
é um estado temporário ou uma característica permanente ?! Alguns
psicólogos acreditam que apenas uma fina camada de
socialização impede que nosso Id - a criança interior
impulsionada por instintos dentro de nós - agarre o que quer e faça
birra quando não consegue que as coisas sejam do nosso jeito, como
fazíamos quando éramos pequenos.
É,
a dita impossibilidade, um traço opcional ou não-opcional ?!
Algumas coisas você controla, outras coisas o controlam.
Que peso
você atribui aos seguintes traços:
1. Compromisso Emocional, o vínculo que cega;
2. Defesa, o meio mais rápido de bloquear a mente;
3. Histórico Socio-econômico do parceiro; e
4. Satisfação Recíproca.
1. Compromisso Emocional, o vínculo que cega;
2. Defesa, o meio mais rápido de bloquear a mente;
3. Histórico Socio-econômico do parceiro; e
4. Satisfação Recíproca.
Responda
a si mesmo, apenas. Nada de interlocutores. Agindo assim estará
afastando a indesejável possibilidade de dissonância
cognitiva; talvez a mais nociva forma de pensamento ilusório.
Após
se responder, você provavelmente concluirá que não tem sido
inteligente o suficiente e, pior, está exigindo demais do outro.
Atingindo esse estágio de humildade, aproveite o momento para
repensar sua caminhada pela vida; chegou a hora, afinal, de curar os
traumas do passado e encarar a vida de frente.
Em
vez de guardar mágoas ou rancores de amores antigos, que tal
transformar tais sentimentos em boas amizades ?! Isso te trará mais
disposição e ampliará suas chances de começar
relacionamentos sadios e perfectíveis.
Evite
se isolar do mundo e experimente não ter medo de se entregar ao
amor. Se deixe surpreender pela vida, procure exercitar a
paciência e a capacidade de compreender aqueles que o
circundam.
In
suma, um romance pleno e feliz exige ambiente especial para
florescer.
(by Silvio Menezes)