Eu finjo.
Finjo muito.
Eu finjo compreender o amor.
Enquanto ela insiste em atingir o futuro sem construir o necessário passado, eu finjo compreendê-lo.
Enquanto ela insiste em atingir o futuro sem construir o necessário passado, eu finjo compreendê-lo.
Sim. Porque não é fácil; o amor é
muito difícil de ser compreendido.
Desde que me encontrei no brilho daquele olhar,
brotou do meu ser uma força selvagem contra a qual nada pode a
inteligência superior de um homem que se acreditava racional.
Então finjo compreender o amor, sobrevivendo
ao seu lado, tentando não desistir de respeitar seus medos e os frágeis argumentos de uma mulher que sabe exatamente o que quer.
E assim, alimentando-me nessa perspectiva
diferente, crendo que sua causa pode ser única, que, igualmente a ela, tornei-me também refém da insensatez.
Talvez por isso minha existência continue vazia e
a cada novo passo me convença de que nada é exatamente o que parece
ser; as pessoas não são, ela não é. Meus dias têm se resumido
num mero plágio de vida, um ocaso donde, receio, só a desolação sobreviverá.
Na crença
de que todos nós um dia deciframos nossos enigmas, sigo
fingindo compreender o amor.
(by Silvio Menezes)
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