O poeta Carlos Drumond de Andrade, num de seus belos poemas, nos descreve a odisseia do homem em suas conquistas espaciais. Colonizou todo os sistema solar e ainda se lançou a outros sistemas, mas o tédio sempre o acompanhava. Quando nada mais restava para civilizar, voltou-se para o próprio universo pessoal e nunca mais teve tédio.
Também há algo parecido no seguinte trecho de Vivekananda: "sabe, ó homem, que depois de longas buscas, aqui e acolá, em templos e igrejas, em terras e céus, finalmente regressa para dentro da sua própria alma, completando o círculo por onde começaste. Aí descobrirás que Ele, por quem estivestes procurando por toda parte, por quem chorastes e orastes em igrejas e templos, com quem estivestes contando como o mistério dos mistérios, envolto nas nuvens, está mais perto do mais próximo. É o seu próprio ser, a realidade da tua vida, de teu corpo e de tua alma".
A nossa civilização, caracteristicamente objetiva, voltada para o mundo exterior, forma um homem interiormente insatisfeito.
A
conquista de uma dimensão interior, como já se vem conseguindo da
dimensão exterior, se tornou o principal problema do humanismo
ocidental.
Na ciência Ioga encontramos um conjunto de técnicas destinadas a concretizar este relacionamento do homem com a sua própria essência. Nela encontramos uma série de execícios psicofísicos, sendo 60% de concentração mental, 30% de respiração e apenas 10% de movimento.
O principal trabalho da ioga é, como já se disse, a concentração mental. Os exercícios de interiorização impõem-se como uma necessidade inadiável para nós do ocidente.
A
conjugação, no mesmo plano, da visão clara do cientista com a
sensibilidade elevada do artista e o sentimento superior do religioso,
eis o que significa ioga.
Faz-se ioga em qualquer tipo de educação, mesmo na formação religiosa, mas a dimensão incomensurável de seu objeto - a busca do absoluto, do universal - evidencia a dificuldade, quiçá a infinitude, da sua realização.
(by Silvio Menezes)
Leitura sugerida: "Ioga, caminho para Deus" - Hermógenes